Critíca - Hamnet: A Vida Antes de Hamlet
- Clara Ballena
- Jan 15
- 2 min read
Updated: Mar 16

Raros são os filmes que atualmente conseguem fazer o público se emocionar a partir de um simples olhar. "Hamnet”, trazido ao Brasil como: “Hamnet: A Vida Antes de Hamlet” é o tipo de filme que faz exatamente isso.
A partir da direção sublime da diretora Chloé Zhao, o longa transmite uma sensibilidade aflorada capaz de deixar uma sala de cinema inteira com os choros baixos e pequenos lamentos ao escurecer a tela. A obra ainda conta com a produção de dois talentosos cineastas: Steven Spielberg e Sam Mendes.
Baseado na obra “Hamnet” da escritora Maggie O'Farrell (Que inclusive assina o roteiro juntamente com a diretora) a narrativa parte do ponto de vista de Agnes (Jessie Buckley), esposa do lendário William Shakespeare (Paul Mescal) e da história de amor de ambos, que deu fruto aos seus filhos. Entretanto, a perda do seu único filho homem afeta Agnes profundamente.

Apesar de apresentar um personagem baseado em uma pessoa extremamente famosa, o nome William Shakespeare é dito uma única vez ao longo das 2h5min de duração. O intuito não é apresentar ou glorificar a figura do famoso escritor, e sim de da intimidade de Agnes, que suga totalmente a cena pela inconcebível atuação de Jessie Buckley. O filme é sobre ela, e gira em torno dela, sensação fruto de uma direção intimista e cuidadosa de Chloé, que a todo o momento leva o público através de visuais estonteantes a uma jornada de sentimentos.
A direção, a partir da sua construção de imagens, deixa uma mensagem muito clara sobre o amor e o luto, e de como ambos andam de mãos dadas na jornada da vida. Enquanto cada personagem lida com isso de diferentes modos, a narrativa deixa o público absorver os sentimentos, compreender as sensações, sem fugir das mesmas. Poucos são os momentos explosivos, ou de acontecimentos dramáticos que movem a narrativa de maneira chocante. Aqui, o cotidiano, convivência e pequenos eventos são moldados gentilmente, a ponto das horas passarem despercebidas.

Hamnet é um filme sobre sentir. E isso é perpassado pelas telas, produto de toda uma equipe que juntos agregam e o transformam em uma verdadeira obra prima. É um filme que será lembrado, e quem sabe até mais premiado, algo que já iniciou com a vitória na categoria de melhor filme de drama no Globo de Ouro em 2026.
ATUALIZAÇÃO:

Hamnet foi indicado à oito categorias no Oscar 2026, incluindo melhor atriz, melhor direção. O filme acabou levando somente uma estatueta para casa, com a vitória de Jessie Buckley na categoria de melhor atriz.



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